Olívia ia dormir com fome
só pra no dia seguinte
ter algum motivo
pra se levantar da cama
sábado, 12 de outubro de 2013
sábado, 28 de setembro de 2013
-
queria poder deixar a dor abstrata
que esse embrulho no estômago
toda vez que penso
pudesse se transformar em desenho
rabisco nervoso
de preto no branco
pra rasgar
e atear fogo ao papel
levando as mágoas
com a fumaça ao léu
as palavras que me pego resmungando
mas gostaria
- ah se eu pudesse
te sussurrar
me sufocam
e me provocam berros
quando a agonia do umbigo sobe pra garganta
que coça,
e grita e uiva,
e no choro soluça
procurando uma solução
e no choro soluça
procurando uma solução
pedindo por socorro
clamando por perdão
perdão que virá desta mesma mente confusa
que criou o pecado
e instigou o malvado
fardo da ilusão
que acusa e maltrata
e destrói
e destrói
todas as lembranças boas
e castiga e critica
e aponta
e aponta
pra bem longe a esperança
a esperança boba, sonsa, tola
de que seja mesmo ilusão
de que eu esteja enganada
que tudo isso não é nada
mas o nada que me abraça
também arranha e esbraveja
afogando numa cerveja
minhas supostas
ultimas lagrimas
quarto pra dois
Quando a gente chora de olho fechado
um rio inunda o quarto
E um quarto do que sinto
não é do quarto que tomei
mas da metade que entreguei
Fora um
mas o meio dividiu
ficou de um lado eu
e do outro você
À margem desse rio
que inundou o quarto
Entre quatro paredes
sem porta e sem janela
sem descanso nem tela
Cada um num canto
pintando-se em aquarela
um rio inunda o quarto
E um quarto do que sinto
não é do quarto que tomei
mas da metade que entreguei
Fora um
mas o meio dividiu
ficou de um lado eu
e do outro você
À margem desse rio
que inundou o quarto
Entre quatro paredes
sem porta e sem janela
sem descanso nem tela
Cada um num canto
pintando-se em aquarela
De aço não sou, concreto não serei
Brilham as luzes da cidade
e o concreto lá em baixo
parece silencioso
inofensivo
inocente
assim como as luzes
que chamam meus olhos em silêncio
me calo e escuto
o silêncio da noite
que mais me parece uma melodia
que acalma meus ouvidos cansados
dos gritos do concreto lá de baixo
fecho meus olhos também cansados
das luzes que piscam
quando estou lá em baixo
e adormeço meu espírito por uma noite
pra ver, enfim,
o sol ofuscar
todas as luzes da cidade de concreto
e o concreto lá em baixo
parece silencioso
inofensivo
inocente
assim como as luzes
que chamam meus olhos em silêncio
me calo e escuto
o silêncio da noite
que mais me parece uma melodia
que acalma meus ouvidos cansados
dos gritos do concreto lá de baixo
fecho meus olhos também cansados
das luzes que piscam
quando estou lá em baixo
e adormeço meu espírito por uma noite
pra ver, enfim,
o sol ofuscar
todas as luzes da cidade de concreto
Meninice
A menina quer rodar o mundo
fugir de casa
por que a sua casa é o mundo
A menina quer fugir da mãe
por que a sua mãe
é a natureza
A menina quer fugir com o filho
por que o pai é criança
A menina quer fugir de si
por que se ser
simplesmente não a basta
fugir de casa
por que a sua casa é o mundo
A menina quer fugir da mãe
por que a sua mãe
é a natureza
A menina quer fugir com o filho
por que o pai é criança
A menina quer fugir de si
por que se ser
simplesmente não a basta
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