sábado, 28 de setembro de 2013
quarto pra dois
Quando a gente chora de olho fechado
um rio inunda o quarto
E um quarto do que sinto
não é do quarto que tomei
mas da metade que entreguei
Fora um
mas o meio dividiu
ficou de um lado eu
e do outro você
À margem desse rio
que inundou o quarto
Entre quatro paredes
sem porta e sem janela
sem descanso nem tela
Cada um num canto
pintando-se em aquarela
um rio inunda o quarto
E um quarto do que sinto
não é do quarto que tomei
mas da metade que entreguei
Fora um
mas o meio dividiu
ficou de um lado eu
e do outro você
À margem desse rio
que inundou o quarto
Entre quatro paredes
sem porta e sem janela
sem descanso nem tela
Cada um num canto
pintando-se em aquarela
De aço não sou, concreto não serei
Brilham as luzes da cidade
e o concreto lá em baixo
parece silencioso
inofensivo
inocente
assim como as luzes
que chamam meus olhos em silêncio
me calo e escuto
o silêncio da noite
que mais me parece uma melodia
que acalma meus ouvidos cansados
dos gritos do concreto lá de baixo
fecho meus olhos também cansados
das luzes que piscam
quando estou lá em baixo
e adormeço meu espírito por uma noite
pra ver, enfim,
o sol ofuscar
todas as luzes da cidade de concreto
e o concreto lá em baixo
parece silencioso
inofensivo
inocente
assim como as luzes
que chamam meus olhos em silêncio
me calo e escuto
o silêncio da noite
que mais me parece uma melodia
que acalma meus ouvidos cansados
dos gritos do concreto lá de baixo
fecho meus olhos também cansados
das luzes que piscam
quando estou lá em baixo
e adormeço meu espírito por uma noite
pra ver, enfim,
o sol ofuscar
todas as luzes da cidade de concreto
Meninice
A menina quer rodar o mundo
fugir de casa
por que a sua casa é o mundo
A menina quer fugir da mãe
por que a sua mãe
é a natureza
A menina quer fugir com o filho
por que o pai é criança
A menina quer fugir de si
por que se ser
simplesmente não a basta
fugir de casa
por que a sua casa é o mundo
A menina quer fugir da mãe
por que a sua mãe
é a natureza
A menina quer fugir com o filho
por que o pai é criança
A menina quer fugir de si
por que se ser
simplesmente não a basta
quinta-feira, 11 de julho de 2013
O que a Maria, a Joana e o resto do mundo achavam sobre o seu Beneci
Seu Beneci, de lá seus oitenta anos ia ao clube todos os dias e se sentava sempre na quarta espreguiçadeira da esquerda pra direita, em frente à piscina olímpica onde os jovens da equipe de natação treinavam.
Os funcionários do clube e os outros frequentadores observavam aquele hábito do senhorzinho e criavam especulações sobre o motivo de tal comportamento.
Alguns achavam que ele o fazia por uma certa nostalgia dos seus tempos de atleta, quando ganhara vários campeonatos de natação naquela mesma piscina e em tantas outras ao redor do mundo. Maria, acreditava que Seu Beneci gostava era de admirar a forma com que o sol refletia na água, e Joana supunha que era o barulho das braçadas que o relaxavam.
A verdade é que depois de certo tempo deitado ao sol, seu Beneci ficava com calor, mas tinha preguiça de se levantar para tomar uma ducha, e a posição daquela espreguiçadeira era perfeita para receber os respingos do pessoal da natação que o refrescavam.
Os funcionários do clube e os outros frequentadores observavam aquele hábito do senhorzinho e criavam especulações sobre o motivo de tal comportamento.
Alguns achavam que ele o fazia por uma certa nostalgia dos seus tempos de atleta, quando ganhara vários campeonatos de natação naquela mesma piscina e em tantas outras ao redor do mundo. Maria, acreditava que Seu Beneci gostava era de admirar a forma com que o sol refletia na água, e Joana supunha que era o barulho das braçadas que o relaxavam.
A verdade é que depois de certo tempo deitado ao sol, seu Beneci ficava com calor, mas tinha preguiça de se levantar para tomar uma ducha, e a posição daquela espreguiçadeira era perfeita para receber os respingos do pessoal da natação que o refrescavam.
sexta-feira, 14 de junho de 2013
On se tait
O que é, o que é?
Quando dizem seu nome,
não existe mais
Vou fazer greve de silêncio
Pois as palavras que grito
Ensurdecem meus sentimentos
que gritam mais forte ainda
como quem aumenta o volume da música
para abafar o barulho de fora
e acaba ferindo os ouvidos
Vou fazer silêncio
pois transformar meus sentimentos em palavras
seria desmerecê-los
como quem tenta expressar
as batidas do coração
fazendo
"Tum tum, tum tum, tum tum..."
Vou fazer silêncio,
pois tudo o que digo já sei
então que seja egoísmo,
mas hei de escutar
para saber mais
Se não for me dizer algo que valha
faça também
greve de silêncio
E se todos pensarem assim?
Morreremos todos em silêncio.
Portanto, meu amigo,
SHHH
que é pra guardar segredo
Quando dizem seu nome,
não existe mais
Vou fazer greve de silêncio
Pois as palavras que grito
Ensurdecem meus sentimentos
que gritam mais forte ainda
como quem aumenta o volume da música
para abafar o barulho de fora
e acaba ferindo os ouvidos
Vou fazer silêncio
pois transformar meus sentimentos em palavras
seria desmerecê-los
como quem tenta expressar
as batidas do coração
fazendo
"Tum tum, tum tum, tum tum..."
Vou fazer silêncio,
pois tudo o que digo já sei
então que seja egoísmo,
mas hei de escutar
para saber mais
Se não for me dizer algo que valha
faça também
greve de silêncio
E se todos pensarem assim?
Morreremos todos em silêncio.
Portanto, meu amigo,
SHHH
que é pra guardar segredo
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