terça-feira, 9 de abril de 2013
Reali o quê?
Parecia sonho, mas era realidade. E por isso acabou. Se fosse sonho, não precisava acabar. É a realidade que quando brinca de sonhar se acaba. Sonhos não. Sonhos podem escolher continuar brincando de ser sonho e continuar sonhando, afinal, são só sonhos.
Dezoiteando
Completei dezoito anos. Bom, pelo menos é o que diz um número escrito em um papel com a minha foto que chamam de "Carteira de Identidade", mas não me lembro em nada de quando nasci para saber se procede e muito menos sei da minha real identidade. Quando eu era mais nova, achava que aos dezoito anos já estava-se no auge da maturidade, mas ainda me sinto frágil e desengonçada ao andar nas ruas, fico tímida ao comprar uma cerveja, por conta da minha carinha de criança e ligo dengosa pra minha mãe toda vez que tenho um problema ou um dia ruim. E ainda estranho, quando encontro com minhas amigas de infância que chegam dirigindo e conversamos sobre emprego e faculdade. Eu acho que só vou ser matura quando tiver lá meus vinte anos, mas já prevejo que quando chegar lá, ainda vou me sentir como agora. E o engraçado é que paquero meninos dessa idade, e os acho bem mais velhos, e de repente lembro que tenho quase a idade deles! Dezoito anos é muito pouco. Ontem mesmo eu tinha dezessete, como é que a gente muda de idade assim, de um dia pro outro? Agora eu faço legalmente, tudo o que eu já fazia desde os quinze, mas agora me dizem que sou adulta e devo assumir minhas responsabilidades. O pior é que faço legalmente algumas e continuo fazendo outras ilegalmente, mesmo (hehe). Eu ainda sou uma criança, e crescer é muito estranho. Mas vai ver a gente começa a crescer mesmo, quando a gente admite pra nós mesmos que ainda somos muito imaturos.
sexta-feira, 5 de abril de 2013
Amador*
Eu sou ainda amador
nessa coisa de amar
E sinto que sinto dor
de tanto amar
E eu sei
que nunca vou deixar de ser
amador
nessa coisa
de amar
Mas hei de aprender
que se doer
Amador
*paródia do texto "Amador" da minha amiga linda Gabi, do blog arvorecerdeumamenina.blogspot.com
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
Ciao
Eu nunca gostei de despedidas. Mesmo em eventos sociais, sempre evitei os beijinhos, dou só um "tchauzinho" geral e saio à francesa (aliás, não entendo por que chamam isso assim, na França morro de preguiça por que eles se despedem de CADA um com dois beijinhos ou mais!). Enfim, não gosto de despedidas, mas gosto da palavra "Tchau". Gosto do som da palavra, da forma com que é reconhecida em qualquer lugar do mundo, acho engraçado o gesto, abanando a mão (quem diabos inventou isso?) e, curiosamente, me lembro bem de quando aprendi a escrevê-la corretamente. Foi como uma vitória, quando meus coleguinhas ainda escreviam "Xau", ou "Tial". Gosto do "Tchau" dito por falantes da língua portuguesa, às vezes até pelos franceses, imitando seus vizinhos de fronteira italianos, que falam "Ciao" tanto pra despedida quanto para o cumprimento. Para o cumprimento é um só, para a despedida às vezes dois: "Ciao Ciao". Sábios são eles, que já no dicionário, reconhecem que cada despedida é um reencontro, um oi para algo novo. Como se um "Ciao" fosse realmente um tchau, e o outro um oi, para o que vem.
quinta-feira, 24 de janeiro de 2013
Perdi a linha
A dor que sinto no corpo agora não me deixa esquecer a dor que sinto no coração. Na ânsia de me encontrar, acabei me perdendo, e tentando descobrir quem eu sou, já não me reconheço mais. Na busca de pessoas novas e interessantes, acabei me afastando daquelas que sempre estiveram comigo.
A minha "busca por mim mesma" que declarei meses atrás acabou hoje, depois de dois porres de lá pra cá, alguns corações partidos, um nariz quase quebrado, joelho roxo e costas doendo, dessas mágoas que nunca se afogaram. Costas doendo sem roxo, vermelho, cicatriz, arranhão, nada. Mas que doem como se eu estivesse carregando, literalmente, esse peso que carrego comigo.
"(...) E que a minha loucura seja perdoada, porque metade de mim é amor, e a outra também." Oswaldo Montenegro
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