Todas as noites
eu acendo um incenso
para dormir
E todas as noites
eu tiro da pratinho
as cinzas da noite anterior
Chego na janela,
e sopro as cinzas ao vento
pensando
que aquelas cinzas
são você
que me fez tão bem
mas em fogo se consumiu
e agora é hora
de te deixar ir
Às vezes o vento
bate ao contrário
e as suas cinzas que soprei
voltam pra mim
Mas aí,
eu acendo um outro incenso
e vou dormir
terça-feira, 30 de abril de 2013
Poeminha sem-vergonha
Soltei
O pássaro da gaiola
A idéia da caixola
A música da vitrola
E eu sou do contra
E cansei de rimar
Tchau
O pássaro da gaiola
A idéia da caixola
A música da vitrola
E eu sou do contra
E cansei de rimar
Tchau
Talião
"Acerto de contas", comentou o porteiro.
O maluco que não cumpriu sua palavra teve que morrer pro bandido cumprir a dele.
O maluco que não cumpriu sua palavra teve que morrer pro bandido cumprir a dele.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
Chora, Ana
Eu conheci Ana. Ana é muito feliz. É feliz até com dias nublados, segundas-feira logo cedo fora da cama e muito trabalho pra fazer. É feliz mesmo sendo a ovelha negra da família e com seus pais dando toda a atenção à irmã mais nova desde que eram pequenas. Hoje, ela já está na faixa dos trinta e ainda se sente desconfortável em almoços de família. Ana é feliz mesmo com toda a bagunça do colega com quem divide a casa, com o carro atolado na neve e o cachorro fujão. Até de TPM, Ana é feliz e bem humorada. E justifica sua alegria dizendo que a vida é curta demais pra se ficar triste. Mas eu te digo, Ana, ficar triste faz parte da vida. Mesmo que triste, se está vivendo também. Pode chorar, Ana. Fica até mais tarde na cama um pouquinho. Hoje eu tiro a neve da porta da garagem pra você.
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